QUEBRANDO PARADIGMAS
- ipmateusleme
- 28 de nov. de 2021
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João 4. 1-11
A Igreja existe para o louvor da glória de Deus. Dentro deste propósito existencial há dois pilares; essência e urgência ou mesmo finalidade e prioridade. A essência da Igreja é adoração, ela existe para a glória de Deus. John Piper disse que “só existe missão porque por vezes não há adoração”[1]. Daí partimos para a urgência da Igreja, a proclamação do Evangelho para promover verdadeiros adoradores de todos os povos, tribos, línguas e raças.
O episódio do encontro de Jesus com a mulher samaritana imiscui a essência e urgência da Igreja, adoração e proclamação. Isto pode ser percebido na súbita interpolação da mulher samaritana ao perguntar sobre aspectos litúrgicos de adoração: “Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar.” João 4:20. No entanto, já naqueles tempos remotos bem como na atualidade, haviam paradigmas a serem quebrados pela proclamação do Evangelho.
No relato bíblico sobre a mulher samaritana, observamos três paradigmas sendo quebrados por Jesus ao comunicar as boas novas. Deste relato, podemos aprender em como ser uma Igreja que cumpre a sua missão na proclamação do evangelho frente aos paradigmas da sociedade moderna e promovendo adoração ao único Deus em todo mundo. Como relatado na história, destaco três paradigmas a serem quebrados;
1. Jesus vai onde ninguém mais quer ir (disposição) Vers. 4,5
· E era-lhe necessário passar por Samaria. Foi, pois, a uma cidade de Samaria, chamada Sicar, junto da herdade que Jacó tinha dado a seu filho José.
Dentre outras opções de caminho que Jesus tinha para chegar a Galileia, o texto nos informa a decisão de Jesus em passar por Samaria, baseada em uma necessidade, “E era-lhe necessário”. Porém, quando seguimos a narrativa do texto e tomamos conhecimento da história da mulher que não tem o nome revelado, percebemos que a real necessidade não era de Jesus e sim da mulher.
Os judeus não toleravam os samaritanos. Estes eram considerados uma raça impura, mista com outros povos. Nenhum judeu tradicional se prestaria a passar por Samaria. Jesus nos ensina diferente, indo onde ninguém queria rir, exatamente o propósito que a Igreja proclamadora do evangelho precisa assumir.
1. Jesus chega na hora em que ninguém quer chegar (compromisso) Vers. 6,7
· E estava ali a fonte de Jacó. Jesus, pois, cansado do caminho, assentou-se assim junto da fonte. Era isto quase à hora sexta. Veio uma mulher de Samaria tirar água. Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber.
A hora em que Jesus chega na fonte de Jacó, é também o momento em que aquela mulher fora tirar água. Uma hora bem incomum de buscar água na fonte, no sol escaldante do meio dia da região norte. William Coleman, em seu Manual dos tempos e costumes bíblicos[1], nos informa que geralmente, as mulheres saíam para buscar água da hora primeira à hora terceira, ou seja, das seis às nove horas da manhã, quando o sol ainda não estava em seu fulgor.
Tal hora, nenhuma mulher saía para buscar água. Na verdade, era uma hora em que ninguém queria chegar no poço devido ao calor do sol. Mas Jesus chega exatamente onde ninguém quer chegar, num lugar improvável e numa hora ainda mais improvável. A Igreja proclamadora do evangelho precisa se fazer presente nos locais onde a sociedade já abandonou, onde ninguém mais quer ir, e também se fazer presente na hora em que para todos é inoportuna. Sabemos que há tempo para tudo, mas a pregação do evangelho deve ser a “tempo, e a fora de tempo”[2].
2. Jesus fala com quem ninguém mais quer falar (missão) Vers. 9,10
· Disse-lhe, pois, a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana? (porque os judeus não se comunicam com os samaritanos) Jesus respondeu, e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva.
Jesus de forma magistral exercia uma ação comunicativa com o seu público. Usando a linguagem e o contexto de vida de seus ouvintes, empreendia uma didática surpreendente, alcançando todas as classes sociais de seu tempo. Fosse o chefe da sinagoga Jairo, ou uma “certa mulher anônima hemorrágica”[3], Jesus dava a devida atenção e estabelecia o diálogo.
Judeus não falavam com samaritanos e, ainda havia o agravante de um homem conversar a sós com uma mulher que tinha uma reputação duvidosa. Jesus quebrou esses paradigmas socioculturais, mostrando que o poder e o alcance do evangelho são supra culturais. Aquela mulher, após ser confrontada com seu pecado, recebeu a água viva que somente em Jesus ela poderia obter.
Cansada de procurar saciar a sede de sua alma numa fugaz alegria, em curtos prazeres de relacionamentos amorosos, aquela mulher encontrou num diálogo com Cristo o que mais precisava, Água Viva para saciar a sua alma. Não precisando mais satisfazer-se em poços imundos e cisternas rotas de pecado. Logo após, parte com uma visão missionária, anunciando Cristo aos seus conterrâneos, já vivendo os efeitos das palavras do Mestre Jesus;
“Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna”. Vers.14
A Igreja de Cristo precisa aprender Dele, a quebrar paradigmas que são por vezes impedimento para um maior alcance da pregação do evangelho e consequentemente a formação de novos adoradores. A Igreja precisa estar disposta e compromissada para a tarefa de proclamar o evangelho, levando esperança, confortando, confrontando, e quebrando paradigmas.
A missão serve ao propósito da adoração...
Quando a missão aqui na terra se findar, a adoração no céu irá continuar...
Rev. Igor Aleixo




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